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Quantas questões devo resolver por dia para ser aprovado em um TRT?

Bruno Klippel

08/09/2026 10:44:39

Quantas questões devo resolver por dia para ser aprovado em um TRT?

A resolução de questões é uma das atividades mais importantes na preparação para concursos dos Tribunais Regionais do Trabalho. Por meio dos exercícios, o candidato revisa o conteúdo, identifica suas dificuldades, conhece o estilo da banca e aprende a evitar erros que poderiam ser cometidos no dia da prova.

Diante dessa importância, surge uma dúvida frequente: quantas questões devem ser resolvidas por dia? Alguns estudantes estabelecem metas muito elevadas e tentam responder centenas de exercícios. Outros fazem poucas questões porque acreditam que primeiro precisam concluir toda a teoria.

Não existe um número obrigatório para todos os candidatos. A quantidade adequada depende do tempo disponível, da fase da preparação, do nível de conhecimento e, principalmente, da qualidade da correção.

Não espere terminar a teoria

Um erro comum é deixar as questões para depois da conclusão de todo o conteúdo programático. Como as disciplinas dos concursos de TRTs são extensas, esse momento pode demorar vários meses para chegar.

As questões devem ser incorporadas desde o início. Depois de estudar um tópico, o candidato já pode resolver exercícios sobre aquele assunto.

Ao concluir o estudo dos requisitos da relação de emprego, por exemplo, é possível responder questões específicas sobre pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação. Em Processo do Trabalho, após estudar competência, o candidato já pode testar sua compreensão com exercícios relacionados ao tema.

Essa prática ajuda a consolidar o conhecimento e mostra como a banca transforma a teoria e a legislação em perguntas de prova.

Quantas questões um iniciante deve resolver?

Quem está começando pode estabelecer uma meta menor, como dez ou vinte questões por dia. O objetivo inicial não é alcançar um grande volume, mas aprender a utilizar os exercícios como instrumento de estudo.

O iniciante provavelmente gastará mais tempo na correção. Muitos conceitos ainda serão novos e será necessário retornar ao material teórico para compreender os erros.

Isso é absolutamente normal. Uma questão analisada cuidadosamente pode ensinar diferentes regras, exceções e formas de cobrança.

Nesse momento, a qualidade deve prevalecer sobre a velocidade. Responder cinquenta questões sem entender os erros produz menos resultado do que resolver quinze exercícios e estudar adequadamente os respectivos comentários.

Como aumentar o volume durante a preparação

À medida que o candidato avança na teoria, o número de questões pode ser ampliado. Uma meta de trinta a cinquenta exercícios por dia pode ser adequada para quem já possui uma base e dispõe de tempo suficiente para realizar a correção.

Não é necessário utilizar o mesmo número diariamente. Em dias dedicados a conteúdos novos, o volume tende a ser menor. Nos períodos de revisão, o candidato poderá resolver mais exercícios.

Também é possível trabalhar com metas semanais. Quem estabelece duzentas questões por semana possui liberdade para distribuir a quantidade de acordo com a rotina. Essa estratégia pode funcionar melhor para pessoas que têm horários variáveis.

O número deve ser desafiador, mas possível. Metas exageradas geram pressa e incentivam uma correção superficial.

Corrigir é mais importante do que responder

A questão não termina quando o candidato marca uma alternativa. A verdadeira aprendizagem acontece durante a correção.

Ao errar, é necessário descobrir a causa. O conteúdo não havia sido estudado? A regra foi esquecida? Houve confusão entre dois institutos? A alternativa foi lida rapidamente? A questão cobrava uma súmula desconhecida?

Até mesmo os acertos precisam ser avaliados. O candidato pode ter marcado a resposta correta por acaso ou utilizado um raciocínio incorreto. Nesses casos, o acerto não representa domínio do assunto.

A correção deve incluir a leitura dos comentários e, quando necessário, a consulta à lei, à jurisprudência ou ao material teórico. Esse processo demora mais, mas evita que o mesmo erro seja repetido.

Organize um caderno de erros

O caderno de erros é uma ferramenta muito útil, desde que seja objetivo. Não é necessário copiar integralmente todas as questões erradas.

O candidato pode registrar a regra que desconhecia, o prazo confundido, a exceção importante ou o entendimento jurisprudencial que provocou o erro. Também pode anotar a referência ao artigo da lei ou à súmula correspondente.

Esse material deve ser revisado periodicamente. Caso contrário, o caderno se transforma apenas em um arquivo de informações acumuladas.

Quando o mesmo assunto aparece repetidamente, é sinal de que existe uma dificuldade relevante. O candidato pode retornar à teoria, reler a legislação e selecionar novas questões sobre o tema.

Resolva questões por assunto e provas completas

Durante o aprendizado, é útil resolver questões separadas por assunto. Essa organização permite testar imediatamente o conteúdo estudado e identificar dificuldades específicas.

Mais adiante, o candidato também deve responder questões misturadas. Na prova, os assuntos não aparecerão necessariamente na mesma ordem do material teórico. Será preciso reconhecer rapidamente qual regra deve ser aplicada.

As provas completas são igualmente importantes. Elas ajudam a treinar o tempo, a concentração e a alternância entre diferentes disciplinas.

No período pós-edital, a quantidade de questões e simulados pode aumentar, pois o candidato já terá percorrido grande parte do conteúdo.

Priorize a banca examinadora

Depois que a banca do concurso for definida, as questões produzidas por ela devem receber prioridade. Cada organizadora possui uma forma própria de elaborar enunciados e alternativas.

Algumas bancas cobram intensamente a literalidade da CLT. Outras apresentam situações práticas ou valorizam a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho.

Conhecer esse padrão ajuda o candidato a direcionar o estudo e desenvolver uma técnica adequada de resolução. Ainda assim, questões de outras bancas podem ser utilizadas quando não houver exercícios suficientes sobre determinado assunto.

O mais importante é verificar se a questão continua atualizada. Alterações legislativas e jurisprudenciais podem tornar antigo o gabarito original.

Acompanhe o percentual de acertos

Contabilizar apenas a quantidade de questões não é suficiente. O estudante também precisa acompanhar a evolução do percentual de acertos.

Esse resultado deve ser separado por disciplina e, se possível, por assunto. Um percentual geral pode esconder dificuldades importantes. O candidato talvez apresente bom desempenho em contrato de trabalho, mas continue errando muitas questões sobre jornada ou rescisão.

O percentual deve ser analisado ao longo do tempo. Oscilações são normais, especialmente quando o nível das questões aumenta ou novos conteúdos são incluídos.

Mais importante do que alcançar rapidamente um número elevado é reduzir os erros repetidos e melhorar de forma consistente.

Não transforme a meta em competição

Resolver milhares de questões pode ser um excelente resultado, mas o número isolado não garante aprovação. Duas pessoas que responderam a mesma quantidade podem ter aproveitamentos completamente diferentes.

O candidato não deve acelerar apenas para divulgar ou registrar uma meta elevada. Se não houver correção, revisão e compreensão, o volume perde parte de sua utilidade.

Para alguns estudantes, vinte questões bem corrigidas serão suficientes em determinado dia. Em outros momentos, será possível resolver cinquenta, cem ou mais. A quantidade deve acompanhar a fase da preparação e o tempo disponível.

Portanto, não existe uma fórmula fixa sobre quantas questões resolver por dia para ser aprovado em um TRT. O melhor número é aquele que permite manter a constância, corrigir os erros e transformar cada exercício em aprendizado.

Comece com uma meta possível, aumente o volume progressivamente e acompanhe o desempenho. Mais importante do que simplesmente fazer muitas questões é garantir que, a cada nova rodada, o candidato esteja menos propenso a cometer os mesmos erros na prova.

Bruno Klippel
Professor do Estratégia Concursos, especializado em concursos de TRTs desde 2013, Doutor pela PUC/SP, Mestre pela FDV/ES e Professor Efetivo da FACELI – Linhares/ES.

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