Bruno Klippel
01/09/2026 13:53:36
Muitas pessoas desejam conquistar um cargo em um Tribunal Regional do Trabalho, mas acreditam que a aprovação somente seria possível para quem estuda durante seis, oito ou dez horas por dia. Essa ideia acaba afastando candidatos que trabalham, possuem filhos, cuidam da família ou precisam conciliar a preparação com outras responsabilidades.
A realidade, entretanto, é diferente. É possível ser aprovado em um concurso de TRT estudando poucas horas por dia. Para isso, o candidato precisa utilizar o tempo disponível com qualidade, manter uma rotina constante e adotar uma estratégia adequada. A preparação talvez seja mais longa, mas isso não significa que a aprovação seja impossível.
A quantidade de horas estudadas é importante, mas não deve ser analisada isoladamente. Permanecer várias horas diante de um material, com distrações e pouca concentração, não representa necessariamente um estudo produtivo.
Uma pessoa pode ficar quatro horas com um livro aberto e aproveitar apenas uma pequena parte desse período. Outra pode estudar durante uma hora e meia, com atenção, objetivos definidos e sem interrupções, obtendo um resultado muito melhor.
Por isso, o candidato deve medir a preparação não apenas pelo número de horas, mas também pelo conteúdo efetivamente estudado, pelas revisões realizadas e pela evolução no percentual de acertos.
Quem possui pouco tempo precisa evitar desperdícios. Escolher antecipadamente o assunto, separar o material e definir a quantidade de questões que será resolvida ajuda a aproveitar cada sessão de estudo.
Uma hora diária parece pouco quando observada isoladamente. Entretanto, representa aproximadamente trinta horas de estudo ao longo de um mês e mais de trezentas horas durante um ano, mesmo considerando alguns dias de descanso.
Se esse tempo for utilizado com regularidade, o candidato conseguirá avançar nas disciplinas, revisar conteúdos e resolver muitas questões. O principal desafio será estabelecer prioridades, pois não será possível estudar todas as matérias ao mesmo tempo.
Quem dispõe de apenas uma hora por dia pode começar pelas disciplinas mais importantes e recorrentes nos concursos de TRTs, como Direito do Trabalho, Direito Processual do Trabalho e Língua Portuguesa. Posteriormente, outras matérias poderão ser acrescentadas.
Uma divisão possível seria utilizar quarenta minutos para o estudo da teoria e vinte minutos para questões ou revisão. Em alguns dias, o candidato poderá inverter essa proporção e dedicar mais tempo aos exercícios.
Com duas ou três horas diárias, torna-se possível estudar mais de uma disciplina e distribuir melhor as atividades.
Em uma rotina de duas horas, o candidato pode estudar duas matérias durante aproximadamente cinquenta minutos cada e reservar vinte minutos para revisão. Outra possibilidade é dedicar uma hora à teoria, trinta minutos à legislação e trinta minutos à resolução de questões.
Com três horas disponíveis, é possível incluir uma terceira disciplina ou ampliar o tempo destinado aos exercícios. Mesmo assim, não é necessário estudar muitas matérias no mesmo dia. A troca excessiva de conteúdo pode prejudicar a concentração e tornar o estudo superficial.
O candidato deve escolher o modelo que melhor se adapta à sua rotina. Não existe um cronograma único que funcione para todas as pessoas.
Um dos maiores diferenciais de quem estuda poucas horas é a constância. A pessoa não pode depender apenas dos dias em que estiver motivada ou com mais tempo livre.
Estudar duas horas por dia, durante seis dias da semana, representa doze horas semanais. Em um mês, serão aproximadamente quarenta e oito horas. Ao longo de um ano, o volume acumulado será expressivo.
Por outro lado, estudar oito horas em um sábado e abandonar os materiais durante os dez dias seguintes dificulta a memorização e a continuidade. A cada retorno, o candidato precisa recuperar o ritmo e recordar o assunto anterior.
A aprovação é construída pela repetição. Ler, revisar, resolver questões, errar, corrigir e retomar o conteúdo são etapas que precisam acontecer muitas vezes.
Quem possui pouco tempo não deve utilizar vários materiais completos para a mesma disciplina. Assistir a todas as videoaulas, ler diferentes cursos em PDF, consultar diversos livros e fazer resumos extensos pode atrasar a preparação.
O ideal é escolher um material principal para a teoria e complementá-lo com a legislação, a jurisprudência e questões anteriores. Se surgir uma dúvida específica, o candidato poderá consultar outra fonte.
Também é importante evitar o chamado estudo passivo. Apenas assistir às aulas ou ler o conteúdo não é suficiente. O estudante precisa testar o que aprendeu, explicar o assunto com as próprias palavras e responder questões.
As questões anteriores mostram quais assuntos aparecem com maior frequência e como a banca examinadora formula as alternativas. Para quem tem pouco tempo, essa informação é especialmente valiosa.
Ao resolver questões, o candidato identifica os pontos que já domina e aqueles que precisam de reforço. Assim, evita gastar muito tempo com conteúdos conhecidos e concentra seus esforços nas dificuldades reais.
É recomendável registrar os erros e revisar periodicamente os temas que provocaram dúvidas. O objetivo não é apenas contabilizar quantas questões foram respondidas, mas compreender por que cada alternativa está certa ou errada.
Nem todo estudo precisa acontecer em uma sessão longa. Pequenos períodos podem ser utilizados para revisar artigos da legislação, ler súmulas, responder algumas questões ou consultar flashcards.
O horário do almoço, um intervalo entre compromissos ou alguns minutos antes de dormir podem complementar o estudo principal. Esses períodos não substituem uma sessão concentrada, mas ajudam a aumentar o contato diário com o conteúdo.
O candidato também deve reduzir distrações. Durante o estudo, notificações do celular, redes sociais e conversas paralelas diminuem o aproveitamento. Uma hora de concentração verdadeira pode valer mais do que várias horas interrompidas.
É necessário manter expectativas realistas. Uma pessoa que estuda uma hora por dia provavelmente precisará de mais tempo para concluir o conteúdo do que alguém que dispõe de cinco horas diárias. Isso não torna a preparação inferior; apenas modifica o prazo.
A comparação deve ser feita com a própria evolução. O candidato precisa observar se está ampliando o conhecimento, aumentando o número de questões resolvidas e melhorando o percentual de acertos.
Estudar poucas horas não impede a aprovação. O que costuma impedir o avanço é a falta de regularidade, a ausência de revisão, a utilização de materiais em excesso e a troca constante de estratégia.
O tempo disponível pode não ser o ideal, mas é o ponto de partida. Quando utilizado com disciplina e planejamento, ele pode construir uma preparação competitiva e aproximar o candidato da aprovação em um concurso de TRT.
Bruno Klippel
Professor do Estratégia Concursos, especializado em concursos de TRTs desde 2013, Doutor pela PUC/SP, Mestre pela FDV/ES e Professor Efetivo da FACELI – Linhares/ES.
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