Bruno Klippel
01/09/2026 13:49:15
Começar a estudar para concursos dos Tribunais Regionais do Trabalho pode parecer uma tarefa difícil. O edital normalmente apresenta muitas disciplinas, a concorrência é elevada e o candidato iniciante nem sempre sabe quais materiais utilizar ou por onde começar. Entretanto, com organização, constância e uma estratégia adequada, é possível construir uma preparação sólida mesmo partindo do zero.
O primeiro passo é compreender que a aprovação em um concurso de TRT não depende apenas da quantidade de horas estudadas. A qualidade do estudo, a escolha correta das matérias, a realização de revisões e a resolução frequente de questões são fatores decisivos. Estudar muitas horas sem planejamento pode gerar cansaço e pouco resultado. Por outro lado, uma rotina menor, mas bem organizada, pode proporcionar uma evolução constante.
Antes de abrir um livro, assistir a uma videoaula ou ler uma apostila, o candidato deve conhecer o concurso para o qual pretende se preparar. Os TRTs costumam oferecer oportunidades para os cargos de Técnico Judiciário e Analista Judiciário, em diferentes áreas e especialidades.
Embora os editais possam apresentar diferenças, algumas disciplinas aparecem com frequência, especialmente Língua Portuguesa, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho. Também podem ser cobradas matérias como Administração Pública, Gestão de Pessoas, Informática, Raciocínio Lógico e legislação específica.
O candidato não precisa esperar a publicação de um novo edital para começar. Na verdade, o período anterior ao edital é o momento ideal para estudar as disciplinas mais extensas e construir uma base consistente. Depois da publicação, o tempo geralmente é curto e deve ser utilizado para ajustes, revisões, simulados e estudo das regras específicas daquele concurso.
Um dos erros mais comuns dos iniciantes é tentar estudar todas as disciplinas ao mesmo tempo. A pessoa monta um cronograma com dez ou doze matérias, estuda um pouco de cada uma e termina a semana com a sensação de que não aprendeu nada.
Para evitar esse problema, o ideal é começar com um grupo menor de disciplinas. Língua Portuguesa, Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho formam uma boa base para quem pretende prestar concursos de TRTs. Dependendo do cargo desejado e da disponibilidade de tempo, Direito Constitucional e Direito Administrativo podem ser acrescentados progressivamente.
Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho merecem atenção especial porque possuem grande relevância nas provas dos tribunais trabalhistas. Além da legislação, essas matérias exigem conhecimento da jurisprudência, especialmente das súmulas, orientações jurisprudenciais e teses vinculantes do Tribunal Superior do Trabalho.
O candidato iniciante não precisa memorizar tudo imediatamente. O primeiro contato deve servir para compreender a estrutura da disciplina e os seus conceitos fundamentais. A memorização será construída com revisões e questões.
O melhor planejamento não é o mais bonito ou mais complexo. É aquele que pode ser cumprido durante vários meses.
Quem trabalha, estuda ou possui responsabilidades familiares deve criar uma rotina compatível com a própria realidade. Se a pessoa dispõe de duas horas por dia, por exemplo, pode dividir o tempo entre teoria, revisão e questões. Não é recomendável elaborar um cronograma baseado em uma disponibilidade que não existe.
Uma possibilidade é estudar duas disciplinas por dia, reservando aproximadamente cinquenta minutos para cada uma e utilizando os minutos restantes para revisão ou resolução de questões. Também é possível trabalhar com ciclos de estudo, alternando as matérias de acordo com uma sequência previamente estabelecida.
Mais importante do que estudar durante muitas horas em um único dia é manter a regularidade. Estudar seis horas no domingo e abandonar os livros durante o restante da semana costuma ser menos eficiente do que estudar uma ou duas horas diariamente.
A preparação para concursos não deve ficar limitada à leitura de materiais teóricos. Um estudo completo combina três elementos: teoria, legislação e questões anteriores.
A teoria permite compreender os institutos jurídicos. A leitura da legislação ajuda o candidato a conhecer a redação utilizada pelo legislador. As questões mostram como o conteúdo é cobrado pelas bancas examinadoras.
Desde o início da preparação, o estudante deve resolver questões relacionadas ao assunto estudado. Não é necessário esperar concluir toda a disciplina. Depois de estudar jornada de trabalho, por exemplo, já é possível responder questões sobre duração do trabalho, horas extras, intervalos e compensação.
Ao errar, o candidato deve identificar a causa do erro. Faltou conhecimento da teoria? Houve confusão entre duas regras? A alternativa foi lida com pressa? A questão cobrava jurisprudência desconhecida? Essa análise transforma o erro em aprendizado e impede que ele seja repetido.
Sem revisão, grande parte do conteúdo estudado será esquecida. Por isso, o candidato deve estabelecer um sistema simples para retomar os assuntos anteriores.
A revisão pode ser feita por meio de marcações no material, resumos curtos, mapas mentais, flashcards, leitura da legislação ou resolução de questões. O formato pode variar, mas a revisão precisa ser rápida e direcionada aos pontos mais importantes.
Um caderno de erros também pode ajudar. Nele, o estudante registra conceitos confundidos, artigos importantes e entendimentos jurisprudenciais que provocaram erros. Esse material será muito útil nas semanas anteriores à prova.
Quem começa do zero frequentemente acredita que somente poderá fazer uma prova depois de concluir todo o conteúdo. Esse momento, porém, dificilmente chega. Sempre existirá algum assunto pendente ou alguma matéria que precisa ser revisada.
Participar de concursos ao longo da preparação ajuda o candidato a entender o ambiente da prova, controlar o tempo, testar sua estratégia e identificar dificuldades. Cada prova deve ser encarada como parte do processo de evolução.
A aprovação em um TRT é resultado de um trabalho acumulado. Não existe necessidade de dominar tudo nas primeiras semanas. O objetivo inicial deve ser criar o hábito, compreender as matérias fundamentais e melhorar gradativamente o percentual de acertos.
Começar de forma organizada é mais importante do que começar de forma intensa. Com um planejamento realista, bons materiais, revisões e muitas questões, o candidato deixa de estudar de maneira improvisada e passa a construir um caminho concreto em direção à aprovação.
Bruno Klippel
Professor do Estratégia Concursos, especializado em concursos de TRTs desde 2013, Doutor pela PUC/SP, Mestre pela FDV/ES e Professor Efetivo da FACELI – Linhares/ES.
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